Somos todos
um bando de viciados,
enquanto o mundo
não para nunca,
acelera
e nos engole.

Viciados
nas imagens cinematográficas
no noticiário da Folha de domingo
no rebolado de Cecília na avenida
na bebida, no Malboro, na escrita,
no sorriso escancarado de Joel
no espetáculo tragicômico da vida
no amor
na ferida
nas flores que despistam a morte
na despedida.

Somos todos
um bando de viciados
enquanto o caos
não para nunca,
acelera
e nos engole por dentro.

E depois do estrago o suicídio abre as gavetas
e escrevemos todas as magoas, as metades, as perdas
escancaramos nossas almas sem sinal nem cortinas
iniciamos o espetáculo da utopia desvanecida
porque chorar se torna medíocre
porque as mãos estão suadas e escorregadias
porque você não se cansa de ir embora
porque a visão não permite mais o foco

e a realidade escapole e afoga
e o amor alucina e ressuscita a única saída,
a poesia.

Somos um bando de poetas enlouquecidos.

Elisa Bartlett  (via estorvosliterarios)

nevou:

eu já não escrevo, eu dito os sentimentos, rebusco paredes, pinto poesia na poeira do seus olhos murchos de pálpebras molhadas, eu vejo o tom da sua alma sem cor, estranho enigma. como seria decifrar você?

j.

sou-inseguro:

.
O lirismo
encontrei
na beira do abismo
sentia os pés gelados,
o corpo encurvado
comprimido
pra poesia despido
na meia luz
os azuis semicerrados
os dedos cansados
escreviam versos nus
a mente nervosa
desvia da sanidade
explode na prosa
em busca de liberdade
humano que na dor se esquiva
é o poeta tem ânsia da arte viva
ainda resta paredes brancas a borrar de anil
elas ainda estão tão nuas como minha alma
escutando aquele clássico vinil
que acalma.
Amor com Vinho   (via estorvosliterarios)
espeta tua dor em mim

estorvosliterarios:

vamos partilhar alma
tocar o sentindo sem tido
prosa

gozar as diferenças genéticas
sublinhar o feixe como enfeite
poesia

Nathália Rizzo

estorvosliterarios:

Deixei minha alma nua / só com o peso da tua
gozei meu drama / nos lençóis da tua cama
e vi o amor transparecer
em cada parte
do teu ser
acendi um cigarro com teu isqueiro
ao amanhecer
só pra tragar teu cheiro
e deixar tuas cinzas no cinzeiro
te deixei ao inverso / em poemas e versos

Amor com Vinho

De tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto ela já foi namorada, o seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes, é de quem não tem mais nada .Dá-se assim desde menina, na garagem, na cantina, atrás do tanque, no mato, é a rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos, dos moleques do internato. E também vai amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir, ela é um poço de bondade e é por isso que a cidade vive sempre a repetir: Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! Um dia surgiu, brilhante entre as nuvens, flutuante, um enorme zepelim, pairou sobre os edifícios, abriu dois mil orifícios com dois mil canhões assim. A cidade apavorada se quedou paralisada pronta pra virar geleia, mas do zepelim gigante desceu o seu comandante, dizendo: “Mudei de ideia!”. Quando vi nesta cidade, tanto horror e iniquidade resolvi tudo explodir, mas posso evitar o drama se aquela formosa dama esta noite me servir. Essa dama era Geni! Mas não pode ser Geni! Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um. Maldita Geni! Mas de fato, logo ela, tão coitada e tão singela cativara o forasteiro, o guerreiro tão vistoso, tão temido e poderoso, era dela, prisioneiro. Acontece que a donzela (e isso era segredo dela) também tinha seus caprichos, e ao deitar com homem tão nobre tão cheirando a brilho e a cobre, preferia amar com os bichos. Ao ouvir tal heresia a cidade em romaria foi beijar a sua mão, o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão. Vai com ele, vai, Geni! Vai com ele, vai, Geni! Você pode nos salvar, você vai nos redimir, você dá pra qualquer um. Bendita Geni! Foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que ela dominou seu asco, nessa noite lancinante entregou-se a tal amante como quem dá-se ao carrasco. Ele fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira, até ficar saciado e nem bem amanhecia partiu numa nuvem fria com seu zepelim prateado. Num suspiro aliviado ela se virou de lado e tentou até sorrir, mas logo raiou o dia e a cidade em cantoria não deixou ela dormir: Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! Chico Buarque. (via velhocaos)
hitrecord:

“the red suitcase”
Escrevo lirismo
como quem cai num abismo
escrevo sobre o gozo
da fumaça que em mim corre
escrevo como quem procura a alma
acha um poeta escreve poesia
e morre.
Amor com Vinho  (via estorvosliterarios)
Nas entrelinhas dum soneto sem regras

estorvosliterarios:

Assobia com os pássaros notas graves
De timbre em timbre soprando as folhas
Acena, então, para os coronéis e as aves
Segura o balão de gás e cria tuas asas

Sinta a glicose escorrer pelo teu queixo
Equilibra-se na ponta dos pés sem cair
Pinte o eco de azul, verde, amarelo e roxo
Acolhe a…

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ily so much ♡